DATA WAREHOUSE
Consultoria. BB chama Bill Inmon
| Na hora de construir o sistema de DW, o maior banco do País decidiu ouvir o consultor da PDH Brasil e agora capitaliza, na forma de acesso rápido a informações estratégicas e enorme economia de custos, a quebra de um velho paradigma. |
O que fazer na hora de construir um sistema de data warehouse (DW) gigantesco, para selecionar, classificar, integrar, armazenar, tratar e distribuir informações estratégicas, de apoio à decisão, em volume que, até o final deste ano, deverá alcançar a marca de 15 Terabytes? Manter a tradição de meio século e conservá-las nos mainframes, seguríssimos, de alto desempenho, enorme capacidade em termos de armazenamento, mas de elevado custo operacional? Ou seria melhor transferir o acervo para a plataforma baixa, aderindo à mais moderna (e econômica) arquitetura cliente-servidor?
Consultados, pelo Banco do Brasil, os fornecedores se dividiam entre as duas opções. Na dúvida, o maior banco do País preferiu postergar um pouco mais a execução do projeto e ouvir o consultor Bill Inmon, parceiro da PHD Brasil. O “pai” dos sistemas de DW desempatou, recomendando à instituição a plataforma distribuída. Apesar de sensato, o conselho de Inmon “inflamou a discussão”, lembra-se Glória Guimarães. A gerente geral da área de Desenvolvimento de Aplicativos conta que, até então, no BB, qualquer proposta de manter fora dos mainframes informações das mais diversas áreas da empresa, incluindo clientes, negócios e infra-estrutura, como as que o DW abrigaria, soava como uma heresia, verdadeiro sacrilégio.
Mas a argumentação do consultor acabou por vencer as resistências. Bill Inmon mostrou que a arquitetura UNIX RISC, além de muito mais barata, apresentaria alta capacidade em termos de armazenamento. Além disso, garantiria a rapidez no acesso às informações por parte dos usuários, segurança e escalabilidade, o que, trocando em miúdos, significaria poder aumentar a estrutura, no futuro, conforme a necessidade e com o mínimo de investimento. Mais do que isso, no BB, o consultor provou que rodar o sistema de DW em mainframes seria economicamente inviável, considerando o alto custo da hora de processamento naquele tipo de máquina e o tamanho do acervo.
A metodologia certa – No BB, a implantação dos sistemas de DW em arquitetura cliente-servidor, demandando investimento total da ordem de R$ 10 milhões, ainda está em curso. A inserção de toda e qualquer nova informação no sistema corre simultaneamente à migração das bases de dados antigas para o novo ambiente. Um trabalho de fôlego que começou no segundo semestre de 2003 e deve se estender ainda por algum tempo. Mas a instituição financeira já pôde perceber que o consultor estava certo, quando definiu o modelo ideal para a instituição, reconhece Glória.
Tanto quanto Antonio Luiz Foschini, gerente executivo da área de Desenvolvimento de Aplicativos, e Santuza Bretas, gerente de divisão da área de Informação, que também integram a equipe BB encarregada de coordenar o projeto, a executiva aponta outro ganho, no processo: graças à consultoria de Bill Inmon, a produção de informações gerenciais e estratégicas, de apoio às áreas de negócios, se faz com base em metodologia específica para DW.
Glória, Antônio Luiz e Santuza explicam que, no BB, o projeto de construção do DW, que também mobiliza profissionais de todas as áreas de negócio, já nasceu corporativo. Isso, também por conta da orientação do consultor da PHD Brasil, contraria o que normalmente se observa em outras instituições e empresas: a maioria prefere criar sistemas departamentais (datamarts) e depois reuni-los numa única base de dados (o DW). “A idéia de corporação está presente em todos os projetos de TI, apesar de termos começado o projeto pela área de finanças”, conta Glória.
O coração do sistema – Até a criação do DW, as informações estavam dispersas pela instituição, ilhadas nos sistemas de Business Intelligence (SGBD Oracle), ferramentas de ETL (Data Stage) e OLAP (Microstrategy e Business Object). Mas, igualmente, nos sistemas de CRM (Customer Relationship Management), desenvolvidos internamente e aplicativos da Siebel, para atendimento a clientes específicos, além da ferramenta E-piphany, para gerenciamento de campanhas. Agora, o DW, rodando em servidores UNIX RISC IBM, será a fonte de informação que vai alimentar os ambientes de BI e CRM. E não por acaso. Instalados nas mesmas máquinas do DW, eles são considerados de importância estratégica, porque armazenam, entre outras, informações que documentam a história do relacionamento do BB com os mais de 22 milhões de clientes.
“Antes do DW, não havia metodologia nem ferramentas adequadas. As informações vinham eram tratadas de forma pontual em cada aplicação ou em estruturas de dados agregadas por conta de alguma similaridade. Esse modelo não permitia à instituição ter uma visão integrada das informações, o que, entre outras coisas, dificultava o processo decisório, frustrando os usuários”, compara Glória, para quem o sucesso do projeto está facilitando a formação de uma cultura que valoriza a informação e, por extensão, o sistema de DW.
OS NÚMEROS DO MAIOR BANCO DO PAÍS
Com 85 mil funcionários, mais de 3.700 agências, 39 mil terminais de auto-atendimento, 7.200 pontos de atendimento bancário, 3.400 salas de auto-atendimento e dezenas de correspondentes bancários, o Banco do Brasil é o maior do País. No fechamento desta edição de D&N, o número de clientes era superior a 22 milhões. O volume de depósito era da ordem de R$ 115,5 bilhões, em dezembro de 2004, ano em que o lucro líquido da instituição ultrapassou a marca dos R$ 3 bilhões. O investimento em Tecnologia da Informação, em torno R$ 1 bilhão, representou 0,86% do volume de depósitos.