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Mercado ensaia recuperação

Em relação ao ano passado, 2004 promete tratar um pouco melhor os fornecedores de serviços ligados a Tecnologia da Informação (TI), dizem estudos recém-divulgados pela IDC (International Data Corporation). O instituto de pesquisa não fala de grandes receitas, mas sinaliza que a recuperação dos negócios, ainda que lenta e gradual, é líquida e certa. Boas notícias. Com base na análise de 12 categorias, a IDC calcula

que, no ano passado, quando o mercado brasileiro de serviços de TI, em relação a 2002, cresceu parcos 7,48%, somente o segmento de outsourcing foi bem-sucedido. E promete repetir o desempenho em 2004, sobretudo no que se refere a consultoria, integração e desenvolvimento de sistemas.

A bola da vez
Quanto aos serviços de outsourcing no Brasil, o Yankee Group divulga números ainda mais animadores. O mercado nacional estaria avaliado em R$ 3,4 bilhões, diz o estudo concluído pelo instituto de pesquisa no final de abril. A análise leva em conta, principalmente, o potencial de crescimento: de 504 empresas nacionais entrevistadas 48% ainda não terceirizam qualquer atividade de TI. Das que já experimentaram a novidade, 30% limitam a operação à manutenção de redes. Apenas 8% optaram pelo outsourcing de ponta a ponta. A terceirização dos serviços relativos a gerenciamento de redes ainda se limita a 16% dos casos, enquanto o help desk responde por 13% e o desenvolvimento de aplicativos por encomenda somente se aplica 11% das situações. No ano passado, juntas, as 30 maiores empresas de outsourcing de TI do mundo faturaram 17,9% mais em relação a 2002.

Visão corporativa I
Quem diz é o Gartner, no relatório que traduz resultados de uma pesquisa mundial: ao adotar aplicativos de BI (Business Intelligence) boa parte das empresas já leva em conta o interesse corporativo, o que representaria um avanço excepcional, após a fase inicial, de descoberta da tecnologia, quando a intenção era, quase sempre, analisar informações gerenciais no círculo restrito dos departamentos. Na medida em que a ferramenta começa a ser usada para aquilo que realmente foi feita (dar apoio à política corporativa de modo geral), o resultado do investimento tende a se estampar em balanços naturalmente mais rentáveis, o que, em última análise, explica a previsão de que, até 2006, o mercado mundial de soluções de BI deve crescer à taxa média de 8,6% ao ano, superando o desempenho dos aplicativos de CRM (Customer Relatioship Management).

Visão corporativa II

O movimento dos grandes usuários, na direção do BI de uso corporativo vai dar no uso inteligente dos sistemas de gestão, que deixam de funcionar como sistemas puramente transacionais: integrado à ferramenta de BI, o ERP (Enterprise Resource Planning) coloca a inteligência da tecnologia a serviço dos negócios, concluem os analistas.

Visão corporativa III
Mais uma variação sobre o tema: pesquisa do BSC Institute revela que apenas 5% dos profissionais estão informados sobre a ação corporativa das empresas nas quais trabalham, o que explica o fato de os projetos estratégicos falharem em 90% dos casos. O BSC conclui que o achado aponta para a necessidade de implantar nas corporações, com a máxima urgência, processos e metodologias que favoreçam um melhor nível de conhecimento dos públicos internos. E, também, que o potencial do mercado de ferramentas de BI ainda por explorar é enorme.

In-house
Uma em quarto empresas que operam no Brasil ainda prefere desenvolver soluções de BI dentro de casa, diz, por amostragem, outro estudo pelo qual a IDC Brasil ouviu, no ano passado, 46 corporações. Desse total, somente 12% optaram por pacotes. Mas o mais interessante é o talento dos usuários para produzir relatórios personalizados, independente da ajuda de qualquer técnico. Isso sinaliza que, mesmo de caráter corporativo, qualquer ferramenta de análise deve ser flexível o bastante para permitir ao usuário ajustá-la conforme as necessidades dele.


SyncSort na vanguarda

Esforço de P&D faz com que a norte-americana se distancie cada vez mais da concorrência.

De volta da visita que fez aos Estados Unidos, no final de abril, o presidente da PHD Brasil, Luiz Pizani, considera que é cada vez maior a distância que separa os parceiros de tecnologia da empresa dos concorrentes, o que, segundo ele, se deve, entre outros fatores, ao investimento maciço da norte-americana em pesquisa e desenvolvimento. Em New Jersey, a SyncSort, por exemplo, mantém uma equipe de 16 PHDs em Tecnologia da Informação (TI), trabalhando no desenvolvimento de novas soluções, conta o executivo.

Uma das novidades aproveita a experiência da norte-americana, adquirida em projetos relativos à construção de backup em sistemas de data warehouse (nearline storage). Trata-se de um sistema capaz de prover o armazenamento e a busca de dados nas situações em que a necessidade de segurança é crucial e o risco por demais alto. Dentro da proposta de dar ênfase aos serviços, na qualidade de representante exclusiva da SyncSort no País, a PHD Brasil aposta na solução e pretende criar uma divisão especialmente para disseminá-la no mercado nacional.

Se depender da SyncSort, ainda, seu nome, idade e filiação vão ser os mesmos - e grafados corretamente - em todos os documentos que você costuma receber. A norte-americana, que já conquistou o ambiente dos mainframes com a plataforma de software que permite tratar, de forma inteligente, grandes volumes de dados, com ganho de performance, agora mobiliza 40 especialistas, cuja missão é criar um sistema que permita, por exemplo, pegar diferentes arquivos sobre uma mesma pessoa, quase sempre contendo informações que não batem, cruzá-las, verificar a mais atualizada e correta e jogá-la num terceiro arquivo. É o fim do mailing list caótico.

Finalmente, também com selo SyncSort, já está disponível o PAV (Parallel Access Volume), que aumenta em até 35% a velocidade no acesso a informações armazenadas em grandes bases de dados. É simples: o sistema permite que, na busca, se utilize não apenas um, mas até quatro canais. A exemplo das pequenas ruas transformadas em grandes avenidas, o PAV torna tráfego mais fluente, eliminando os gargalos.


O joio e o trigo

O esforço de P&D também dá frutos na FileTek e na Ambeo, testemunha Pizani. A Copon, nova empresa do grupo FileTek, está apresentando ao mercado o Array Idel Disk, tecnologia que, sem prejuízo da disponibilidade e desempenho dos grandes sistemas de armazenamento (20/30 Terabytes), permite parar os discos que não estão sendo utilizados, o que se traduz em expressiva economia de energia. O lançamento faz parte da decisão da FileTek, de investir na criação de mídias variadas, dando aos usuários opções perfeitamente ajustadas às necessidades de cada um deles, no que diz respeito à forma como a informação será armazenada.

Outra novidade da FileTek é a solução que pretende fazer aquilo que os bancos de dados não conseguem: buscar no acervo informações específicas como, por exemplo, quantas ligações o executivo X fez para a empresa Y nos últimos três anos. O software pesquisa ano a ano, soma os números, entrega a informação ao interessado e, com isso, resolve uma questão crítica que se explica em função do alto custo dos produtos de software para aplicações desse tipo. Ciente de que 70 a 80% das informações armazenadas nos sistemas são usadas raramente, mas precisam estar disponíveis, quando solicitadas, a FileTek trabalha na produção de soluções que incorporam o conceito de granularidade; isto é, o armazenamento das informações conforme a idade delas (mais ou menos remotas), em mídias cujos custos nem sempre precisam ser tão caras. Tudo isso sem que o usuário perca o acesso relacional a cada linha de informação.

No planejamento das grandes bases de dados, fundamental, entretanto, é saber separar o joio do trigo. Que informação é realmente importante? Até que ponto? Onde e como guardá-la de forma racional e econômica, mediante escolha da mídia ideal? Quem tem as respostas para essas perguntas é a Ambeo, cujas soluções levam em conta o fato de o DW ser um verdadeiro animal vivo e, ainda, que 70% dos custos relativos à construção do sistema dizerem respeito a gestão. A relação é de três dólares para um, calcula o Gartner.

O pulo do gato é usar mídias mais ou menos sofisticadas e mais ou menos caras rigorosamente de acordo com a natureza da informação que se quer guardar e, entre outras coisas, conforme a freqüência com a qual ela é requisitada. "A partir daí, a Ambeo vem trabalhando, com apuro, no desenvolvimento de soluções que ajudam os usuários a fazerem a escolha certa", resume Pizani, chamando a atenção para o quanto isso é importante na hora de justificar o investimento em mídias de armazenamento. Ele ressalva, porém, que o que está em jogo não é apenas a economia de custos, mas, também, a performance do sistema no momento em que o usuário precisa consultá-lo, a fim de recuperar uma informação. "Se cada coisa está no devido lugar, na mídia certa, encontrar o que se procura fica mais fácil e rápido", argumenta.


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